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O Trem das Onze

trem1.jpgA história do Parque da Cantareira é umbilicalmente ligada à trajetória do Trem da Cantareira, que por mais de 50 anos serviu o extremo norte da cidade. Desativado em 1964, o trem levou junto com ele a freqüência do parque. Ficou difícil chegar até lá. Esse trem é o mesmo cantado por Adoniran Barbosa no samba "Trem das Onze".

O trem ligava as regiões do Tremembé e do Jaçanã, então ricas em chácaras de hortifrutigranjeiros, ao Mercado Municipal, no centro. A linha era explorada pela Estrada de Ferro Sorocabana. Até hoje a memória da ferrovia domina esses bairros da zona norte. As estações foram retiradas, assim como a linha férrea. Mas, no Tremembé, há um local chamado Parada Sete, na rua do Horto, que homenageia uma pequena e extinta estação ferroviária.

A última estação do trem  justamente chamada Cantareira  ficava dentro do parque. Restaram a velha gare, a casa do chefe da estação e algumas construções de funcionários da ferrovia. Tudo está razoavelmente preservado. Os trilhos que ficavam dentro do parque foram arrancados. A Associação dos Funcionários da Sabesp construiu uma piscina sobre um trecho.

O aposentado José Ginaldo Fernandes viveu dentro do parque entre os anos 50 e 60, no período em que seu pai, Joaquim Fernandes, foi chefe da Estação Cantareira. Ele se lembra com carinho daquele período. "Era uma linha tranqüila. O máximo que acontecia eram atrasos".

Ginaldo lembra ainda que o trem carregava sempre um grande número de militares. Até hoje, aliás, o Tremembé abriga várias instituições da Polícia Militar, como a Academia do Barro Branco.

A dificuldade de José Ginaldo era a distância das coisas comuns a outros paulistanos. A escola mais próxima ficava a 3 km. Quando começou a trabalhar, no início dos anos 60, usava o trem para ir ao centro da cidade. A solidão não era problema. Havia muitas crianças ali, que costumavam brincar na rica vegetação do parque. Nos finais de semana, o local ficava lotado.

Alberto Mawakdiye

Foto: Retirada do livro "São Paulo Tramway Tremembé", de Eduardo Britto