ECOTURISMO: Trilhas de São Paulo

O verão ainda está em alta e muitas pessoas aproveitam o mês de fevereiro para tirar suas férias e colocar o pé na estrada. Se você é uma delas, que tal aproveitar os dias de sol para ficar mais perto da natureza e fugir do tumulto da vida urbana? Aproveite para conhecer melhor a rica biodiversidade brasileira. Uma modalidade de turismo que tem se desenvolvido bastante nos últimos tempos é o ecoturismo. Segundo a Organização Mundial do Turismo, enquanto o turismo considerado "mais tradicional" cresce 7,5% ao ano, o ecoturismo cresce mais de 20%. É preciso lembrar que o ecoturismo é uma das muitas modalidades existentes (há o turismo religioso, o turismo de negócios, o turismo gastronômico, etc).

dest200902.jpgMas o que diferencia o ecoturismo do turismo tradicional? Basicamente, enquanto neste a preocupação maior é simplesmente com o bem-estar dos turistas, o ecoturismo (ou turismo ecológico) tem por objetivo aliar o lazer, em áreas naturais, a práticas conservacionistas e ao senso de responsabilidade social e ambiental. Ao longo do tempo, a expansão desordenada, e sem o devido planejamento, do turismo tradicional acabou trazendo consequências negativas a muitos destinos turísticos como, por exemplo: esgotamento dos recursos naturais; aumento da produção de lixo e esgoto; alterações dos ecossistemas; descaracterização da paisagem original e dos valores da cultura local; adensamento urbano não planejado; etc. Na contramão de tudo isso e influenciado pelo aumento mundial da conscientização ecológica surgiu, nos anos de 1980, o conceito de ecoturismo. Desde então, milhares de pessoas têm procurado ter um contato mais próximo com natureza, através de práticas esportivas ao ar livre ou simples observação da natureza.

No Brasil, a definição mais usual de ecoturismo é dada pelo documento Diretrizes para uma Política Nacional de Ecoturismo, elaborado pela Embratur e pelo Ministério do Meio Ambiente e publicado em 1994. De acordo com o documento: "ecoturismo é um segmento da atividade turística, que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações".

O ecoturismo também costuma ser associado a outros segmentos turísticos, como o turismo rural, o turismo cultural e o turismo de aventura. Esta última vertente divulga e estimula a prática de esportes considerados "radicais": rafting, rapel, mountain bike, mergulho livre, escalada, exploração de cavernas, arborismo, canoagem, vôo livre, entre outros.

Perfil Médio do Ecoturista

Apesar da possibilidade de ser praticado por pessoas de todas as idades, há um perfil mais recorrente:

- Idade entre 25 e 50 anos;
- Poder aquisitivo médio e alto;
- Escolaridade de nível superior;
- Profissão de caráter liberal;
- Viaja sozinho ou em pequenos grupos;
- Permanência média no destino: 4 dias (viagens nacionais) e 10 dias (viagens internacionais);
- Procedência de grandes centros urbanos;
- Desejo de contribuir para a conservação do meio ambiente.

 Dicas para os Praticantes de Ecoturismo

- Respeite os costumes locais e seja cortês;
- Minimize os possíveis impactos durante a viagem (deixe o lugar mais limpo do que você encontrou, não utilize sabão ou detergente em áreas naturais e não introduza nenhuma espécie animal ou vegetal diferente do que habita a região);
- Procure sempre por agências autorizadas a operar com ecoturismo;
- Só ande em trilhas oficiais, devidamente mapeadas. Caso você seja inexperiente em trilhas, escolha uma com menor grau de dificuldade;
- Verifique se o guia conhece a região, tem compromisso com as práticas de mínimo impacto e tem treinamento em primeiros socorros e salvamentos;
- Mesmo assim, mantenha em sua mochila um estojo com material de primeiros socorros;
- Para lugares de mata fechada e/ou de difícil acesso, recomenda-se o uso de bússola e carta topográfica;
- Faça somente aquilo que o seu condicionamento físico permite;
- Use calçados (de preferência, botas) e roupas apropriadas (confortáveis, leves e resistentes);
- Se você se perder, procure ficar tranquilo e nunca divida o grupo para buscar socorro ou a saída da trilha;
- Permaneça próximo às margens do rio, a fim de facilitar o resgate.

 Lembre-se!

É preciso ter cuidado na hora de optar por uma atividade considerada ecológica. Atualmente, tudo o que carrega o prefixo "eco" acaba sendo virando moda, na tentativa de parecer socialmente mais correto. Por isso, para não cair na mera superficialidade, lembre-se sempre que uma verdadeira atividade de ecoturismo deve:

- Colaborar com os princípios do desenvolvimento sustentável preconizado pela Agenda 21;
- Fazer com que a conservação beneficie materialmente as comunidades envolvidas, de modo a gerar empregos e diversificar a economia regional;
- Ser planejada para causar o mínimo de impacto possível; - Ter caráter educativo e motivar os turistas a perceberem a importância da preservação dos patrimônios histórico, cultural e natural.

Fonte: Ministério do Turismo, Site Ambiente Brasil

Em geral, os Parques Nacionais, Estaduais e Municipais, as Florestas Nacionais e as APAs (Áreas de Proteção Ambiental) são os locais mais utilizados para a realização de atividades de ecoturismo. Há muitos lugares interessantes espalhados pelo Brasil. Nos links que sugerimos, você pode obter informações sobre locais para visitar e como praticar as atividades.

Não é preciso ir muito longe para conseguir desfrutar a maravilhosa experiência de estar perto da natureza e aprender cada vez mais. O próprio Governo do Estado de São Paulo oferece uma iniciativa bem acessível a todos os interessados em ecoturismo, como veremos abaixo.

Trilhas de São Paulo

Explore as riquezas naturais paulistas com o “Passaporte para as Trilhas de São Paulo” (da equipe da Fundação Florestal)

Agora ficou mais fácil explorar as riquezas naturais do Estado de São Paulo. Em agosto, a Secretaria do Meio Ambiente (SMA) e a Fundação Florestal lançaram o Programa Trilhas de São Paulo: ação pioneira que mapeou 40 trilhas localizadas em 19 Unidades de Conservação – totalizando mais de 200 km de percurso em meio à natureza intacta.

Para despertar a vontade de percorrer cada uma dessas áreas naturais foi criado o “Passaporte para as Trilhas de São Paulo”. Trata-se de uma publicação, com o formato de um passaporte, com as trilhas classificadas em níveis de dificuldade baixo, médio e alto, contendo ainda mapas dos trajetos e informações sobre os atrativos dos parques.

Em cada página do livro, há espaço para um carimbo atestando que o proprietário do passaporte realizou o percurso apresentado, fazendo jus a um brinde. Quem completa todas as trilhas de baixo nível de dificuldade ganha uma garrafa “squeeze’’, já quem faz as de nível médio leva para casa uma pochete com porta “squeeze“ e câmera digital, e o aventureiro que encara todas as de nível alto, ganha uma mochila. Agora, quem consegue carimbar todas as páginas, com as 40 trilhas do passaporte, ganha uma camiseta com os dizeres „Trilhas de São Paulo: Eu Fiz“. O passaporte custa R$ 5,00 (cinco reais) e pode ser adquirido na própria sede dos parques, na Secretaria do Meio Ambiente, na Fundação Florestal e no Parque Villa Lobos (veja os endereços no site Trilhas de São Paulo, em “O Passaporte” no tópico “Como Adquirir/ Valor”). Vale lembrar que o valor cobrado é reinvestido nas Unidades de Conservação.

“Se olharmos bem, veremos que lançamos um programa que não é tão revolucionário, o que mostra que estávamos atrasados na agenda do ecoturismo’’, disse o secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano, durante o lançamento do projeto. No seu entender, “conseguimos dar um passo significativo, mas que precisa ser acompanhado com outros passos’’. Por isso, novas trilhas continuarão sendo mapeadas para as próximas edições do passaporte. Além disso, a SMA vai realizar investimentos em infra-estrutura nos parques e nos planos de manejo. Xico Graziano também anunciou a idéia de se mapear trilhas de longo percursso, para os aventureiros que gostam de trilhas que duram dois, três ou mais dias, e um passaporte para as cavernas do Estado de São Paulo.

Ecoturismo

O Programa Trilhas de São Paulo integra o Projeto Ambiental Estratégico de Ecoturismo da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, que além do passaporte, vai investir nas trilhas do estado paulista lançando manuais de monitoramento dos impactos das visitações e de interpretação ambiental das trilhas. Além disso, com um contrato firmado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em quatro anos investirá US$ 15 milhões nos Parques Estaduais de Ilhabela, Ilha do Cardoso, Carlos Botelho, Intervales, Caverna do Diabo e Turístico do Alto Ribeira, consolidando as unidades de conservação como produtos turísticos com capacidade de atrair visitantes, preservando o capital socioambiental das regiões envolvidas.

fonte: http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/bv_destaque.html