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Loteamentos, favelas e estabelecimentos comerciais destrõem mata nativa e poluem mananciaisDesde o final do século passado, o projeto de construção do trecho Norte do Rodoanel Mário Covas tornou-se o inimigo nº 1 dos movimentos ambientalistas de São Paulo. A execução da obra, de acordo com os preservacionistas, representaria um golpe mortal na Serra da Cantareira, a maior floresta urbana do mundo, com 7.900 hectares – o equivalente a 44 Parques do Ibirapuera, ou a 2,4 Florestas da Tijuca. Devido às pressões, o governo paulista recuou no intento de levar adiante a empreitada, cujo desfecho permanece uma incógnita. Mas uma coisa é certa, cristalina: a degradação da Cantareira – uma das últimas grandes áreas de Mata Atlântica no Estado – segue a passos largos, à luz do dia. Nem por isso, contudo, são ouvidos clamores ou protestos dignos de nota. Responsável por cerca de 55% da água consumida na Grande São Paulo, a Cantareira – que abrange, além da Capital, os municípios de Mairiporã, Caieiras e Guarulhos – é a principal área do Cinturão Verde de São Paulo, reconhecido pela Unesco, em 1993, como Reserva da Biosfera. Sua mata contribui de maneira decisiva para a estabilização do clima na região metropolitana, impedindo o avanço de ondas de calor do centro da área urbana para os bairros e municípios periféricos. A água e o frescor, contudo, estão sob séria e crescente ameaça. As favelas também arrancaram um naco considerável do verde da serra. Das 327 situadas na Zona Norte da Capital, a maioria está localizada em terrenos íngremes, antes ocupados por mata nativa, de acordo com o Atlas Ambiental do Município de São Paulo. Essa ocupação desordenada e predatória traz sérios riscos a essas próprias comunidades – permanentemente ameaçadas por deslizamentos de terra – e à maioria da população da Grande São Paulo, pois a inexistência de esgotos nas favelas é sinônimo de contaminação de mananciais. Os moradores mais carentes, contudo, estão longe de ser a única ameaça à vegetação e à saúde pública na região. Diversos estabelecimentos comerciais na Serra da Cantareira devastam a mata e operam sem sistemas de esgoto ou fossas assépticas. Um exemplo é o restaurante Cabana da Serra, no quilômetro 8 da estrada da Roseira, em Mairiporã. O cenário no local é desolador. Ao redor do Cabana, pilhas de troncos mostram que o desmatamento não tem limite. Pior: a gordura e o lixo do restaurante, além de fezes e urina de cavalos e de moradores de um casebre ao lado do estabelecimento, são jogados em um córrego. Algumas centenas de metros adiante, a água é utilizada por diversas famílias. Soluções definitivas para essas mazelas não faltam – pelo menos no papel. Em julho de 2005, por exemplo, a Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado criaram o Grupo Executivo de Proteção aos Mananciais, com o objetivo de fiscalizar as bacias Guarapiranga, Billings, Capivari-Monos e Alta Cantareira. O Executivo paulistano anunciou à época que estava “empenhado” em contratar 200 guardas civis especializados em meio ambiente e em requisitar 200 policiais militares ao Palácio dos Bandeirantes, para formar uma “linha verde” de proteção à Serra da Cantareira, com 20 quilômetros de extensão. Retóricas à parte, a degradação ambiental prossegue na região. |
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