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Triplicam denuncias de tráfico de animais silvestresSão Paulo lidera tráfico de animais O comércio ilegal praticado no Alto Tietê tem muitas frentes, mas em geral a maior parte das denúncias é relativa a manutenção de cativeiros. Isto é, pessoas que possuem animais silvestres em casa como se eles fossem bichos de estimação quaisquer. Há também lojas que vendem animais legalizados, como pet shops, mas que dependendo da encomenda compram e revendem espécies silvestres. O lado mais preocupante, contudo, é o do crime organizado, que a cada dia está mais bem estruturado, envolve exportação e até uma potencial participação da máfia russa. Neste último caso, a Região se torna um prato cheio devido a sua logística. Isto é, ela está no eixo Rio de Janeiro - São Paulo e como agente facilitador há a proximidade com o aeroporto internacional de Guarulhos. De acordo com a presidente da Bio-Bras, Nadja Soares de Moraes, o tráfico em Mogi e cidades vizinhas envolve muitas vezes animais trazidos de outras regiões do País. Da Mata Atlântica local as espécies mais visadas são as aves canoras e os saguis. "Araras, papagaios e macaquinhos-prego, por exemplo, são animais que normalmente vêm da Mata Atlântica da Bahia, de Minas Gerais. E muita gente aqui em Mogi tem esses bichos", informa. Outro problema, mais conhecido como tráfico científico, é a venda ilegal de aranhas, cobras e outras espécies peçonhentas para extração de veneno. Esta prática, que tem fins de exportação, também acontece bastante na Região. Manter um animal silvestre em casa, alerta Nadja, é prejudicial não só para o bicho como para o próprio ser humano. Primeiramente há a questão da readaptação, ou seja, ele está habituado à mata e precisa se acostumar com um ambiente caseiro. Dentro deste âmbito entram vários problemas, como o da alimentação, que dificilmente é feita com base nos grãos para a espécie correta, até porque é difícil encontrar o alimento ideal em estabelecimentos comerciais. Há também o percalço do estresse sofrido pelo animal, que o leva muitas vezes a transtornos comportamentais, como agressividade e realização de gestos obscenos. E a conseqüência disso é que muitos passam a rejeitar o bicho e o abandonam no mato de forma irresponsável.
Um detalhe muito importante e constantemente esquecido em meio a todo esse processo é a crueldade praticada com os animais, que pode acontecer acidentalmente durante o transporte ou propositalmente para domar os bichos. "É um sistema muito cruel. A Rede contra o Tráfico de Animais Silvestres tem uma pesquisa que mostra que de cada dez animais retirados da mata para este fim, apenas um sobrevive. Eles trazem esses bichinhos presos em caixinhas, amarrados, pintam, arrancam a língua, furam o olho para que ele fique dócil e pareça bonitinho. É um mercado extremamente prejudicial".
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