Secretaria se diz ciente do quadro, mas confia em projeto para mudar situação

Fonte: R7

parque.jpgNuma cidade urbanizada como São Paulo, dominada pelo asfalto e com altos índices de poluição, a importância dos parques vai além do lazer.  Mas nem todos os paulistanos têm direito a usufruir na mesma proporção dessas áreas de bem estar. Enquanto na zona norte, cada habitante tem direito a 4,67 m² de área verde; na zona sul - maior e mais populosa -  a área de parque por morador é de apenas 0,71 m². A diferença é de quase sete vezes entre uma região e a outra.

O cálculo foi feito com base na área total de parques de cada região, divulgada pela Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, e no total de habitantes dessas áreas, de acordo com levantamento feito pela Fundação Seade em 2009. Somando as áreas de todos os parques por zonas, a região centro-oeste conta com 1,197 km² de espaços verdes ao ar livre (o que representa 0,95 m² por habitante); a zona leste tem 7,721 km² (1,90 m²/habitante); a zona norte, 10,222 km² (4,67 m²/habitante); e a zona sul, 2,551 km² (0,71 m²/habitante).

A reportagem conversou com especialistas que afirmaram: a área verde da capital paulista é pouco aproveitada e os parques não atendem a população. Ao todo, São Paulo tem 63 parques dispostos da seguinte forma: 17 na região centro-oeste, 19 na zona leste, 12 na zona norte e 15 na zona sul. Além da diferença na quantidade, o tamanho dos parques também é distinto, variando de 2.000 m² (Parque Municipal Zilda Natel) a 9.500.000 m² (parque Anhanguera).

Para o urbanista e professor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP Nabil Bonduque, o planejamento e a distribuição dos parques não atende a população de baixa renda. "Quando há essa desigualdade, a população acaba sendo mal servida. Na zona sul, que tem menor área de parques, moram mais pessoas da baixa, de média-baixa renda, por exemplo."

Segundo Bonduque, o pequeno número de áreas de lazer ao ar livre na zona sul é ainda mais preocupante justamente porque a região é propícia para a criação de grandes parques.
"Lá [zona sul] a geografia ajuda, pois, como é uma área com bastante mananciais, seria mais fácil fazer grandes parques."
 
Crítica da população

E esse diferença no volume de área verde não é observada apenas por especialistas. A população também critica. No ano passado, o movimento Nossa São Paulo realizou uma pesquisa para saber a opinião do paulistano sobre assuntos referentes à cidade, entre eles, os parques. O Irbem (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município) do estudo revelou que os moradores da capital não estão satisfeitos com esses espaços.

A pesquisa foi feita com base em um sistema de notas de zero a dez, e com 5,5 considerada média aceitável. Abaixo disso, o assunto era considerado insatisfatório.

No quesito “proximidade de parques e áreas verdes”, a nota para a capital ficou em 5,2. Por região, apenas a região central (5,5) e a zona oeste (5,6) se situaram na faixa considera regular pela pesquisa. A zona norte teve 5,3 de nota; leste (5,1) e sul (5,0), todas abaixo da média.

O segundo indicador que retrata a opinião dos paulistanos sobre seus parques também teve nota abaixo da média aceitável. Para a “quantidade de áreas verdes na cidade”, o morador da capital deu nota 5. Nenhuma das cinco regiões teve uma avaliação satisfatória: central (4,7), oeste (5,1); norte (4,8); leste (5,2) e sul (4,9).

Cem parques

A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente informou estar ciente do problema na distribuição dos parques de São Paulo e afirmou querer equilibrar esses espaços por região. Carlos Fortner, diretor do Departamento de Parques e Áreas Verdes da secretaria, disse, porém, que é necessário tempo para mudar a realidade.
"Temos noção desse quadro (zonas desiguais). Estamos trabalhando do projeto “100 Parques”, que visa equilibrar a distribuição dos parques em área e quantidade. Mas o processo é longo, você precisa desocupar a área, fazer um estudo, conseguir a posse da terra, para só depois iniciar a construção do parque."

Em janeiro de 2008, a prefeitura lançou o programa “100 Parques”, que prevê a construção de cem parques na capital até 2012. De acordo com a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, foram implantados 33 novos espaços na capital nos últimos cinco anos. Para o cronograma do projeto ser atingido, São Paulo deverá construir mais 67 parques nos próximos dois anos. A ideia é ter pelo menos uma área em cada subprefeitura do município.

O urbanista Bonduque acha a ideia válida, mas teme que os novos projetos possam ir pelo mesmo caminho dos parques já implantados na capital.
"Tudo o que se faz nessa área é importante. Mas o mais importante é quantos metros quadrados de parque as novas construções vão acrescentar à cidade. Não adianta fazer parques pequenos só para aumentar o número de obras."